A trajetória de José Serra é algo muito interessante de se observar. Tem entre suas virtudes, o tecnicismo e a competência que aqueles que conhecem a TEORIA – angariada em horas extensas de preparo acadêmico – utilizam para viabilizar a resolução das questões práticas, na área a qual está sob a sua responsabilidade.
O arrojo intelectual do ex-governador de São Paulo é concretamente inatacável, visto que quando não possui o conhecimento profundo, procura atualizar-se com as novas metodologias de enfrentamento da situação, cercando-se de reais especialistas – como no caso da Saúde, quando atuou como Ministro da pasta, recebendo láureo pelas batalhas vencidas, mui especialmente no que toca ao tratamento dos portadores de H.I.V.
O José Serra técnico, responsável, solidário e aguerrido patrono das ações públicas de qualidade conquistou um eleitorado respeitável e consciente. Entretanto, existe outro José Serra. Um que produz reverberações muito negativas no anterior. Um que é intrinsecamente egocêntrico e, principalmente, teimoso.
A partir da derrota em 2010, ele saiu das citações elogiosas de seus admiradores – onde se deixaram levar mais pela paixão do que pela análise dos atos tomados durante a campanha – para um “quase” linchamento social. Atrelado a isso, os mais próximos entusiastas do PSDBista se viram “abandonados” em uma guerra partidária, onde ambas as partes bradavam ovações em prol da nação.
De quem verdadeiramente é a culpa deste cenário de orfandade? Existe culpado? Ninguém o é?... Ou todos são?
Sopesando friamente, o reflexo do “bico” do tucano foi o ponto de partida para a vitória de Fernando Haddad no pleito pela Prefeitura de São Paulo, a capital financeira da América do Sul. Isto é um FATO e não apenas um "achismo" originado em manchetes de jornais.
Eleitores de cunho sério, que atuaram na campanha nacional pró-Serra, reiteradas vezes reclamaram do viés supressivo do candidato e, também, de seu “marqueteiro”.
Reza a lenda que ele achou de somenos importância a herança de Fernando Henrique Cardoso, quando gestou o país. Aliás, como o herói grego, com essa decisão demonstrou a todos o calcanhar a ser atingido: o orgulho. Com a justificativa de não viver sob a “sombra” de FHC, soçobrou as ações benéficas da gestão do ex-presidente - e amigo - ao fundo do baú, vontade acatada pela maioria do colegiado de seu partido, registre-se.
![]() |
| Charge: SPONHOLZ |
Agora, os membros do alto escalão do tucanato – além de muitos eleitores pelas redes sociais – dão clara manifestação de cansaço as atitudes individualistas de José Serra e seus asseclas. Assim, não é surpreendente ler (supostas) declarações de que ele pode migrar a outro partido. O motivo, dizem os mais próximos e alguns "arautos do saber", é não pretender dar qualquer apoio a candidatura do escolhido da maioria dos membros do PSDB para o pleito de 2014: o Senador mineiro, Aécio Neves da Cunha.
Verdadeiramente, não condeno a atitude do paulista. Todavia, é bom lembrar que "quem constrói a própria fogueira, tem mais é que se queimar e sozinho". Como diz o adágio popular:
"É mais respeitado um inimigo declarado, do que um falso amigo."
Constitucionalmente, é um DIREITO que ele tem de fazer o que bem entender e o que lhe for mais benéfico. A isso se chama LIBERDADE DE IR E VIR. Entretanto, quando se participa de uma competição democrática, a vontade da maioria DEVE sempre ser respeitada e, portanto, prevalecer. E, mesmo que preterido como candidato do partido a eleição de 2014, é inegável a contribuição que ele pode dar para o engrandecimento da nossa nação, quando como Ministro da Saúde de FHC.
Muitas vezes - deve-se ressaltar -, pela dita “liberdade”, muitos fazem guerra, se revoltam, rompem paradigmas, sem se importar com as devidas consequências. É bom José Serra não esquecer a lição de Lèon Tolstoi:
Muitas vezes - deve-se ressaltar -, pela dita “liberdade”, muitos fazem guerra, se revoltam, rompem paradigmas, sem se importar com as devidas consequências. É bom José Serra não esquecer a lição de Lèon Tolstoi:
“Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência.”
Ele tem uma decisão a tomar. Ele tem liberdade para isso. Apenas é sempre bom lembrar que o reflexo da decisão pode gerar uma desordem. E tolerar a desordem é consequência de uma educação falha. E é aí que reside a mantença da ausência de crescimento econômico e humano do Brasil.
Agora é aguardar para saber qual a verdadeira cor da bandeira de José Serra: vermelha ou verde- amarela!
Até apróxima!

