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segunda-feira, 18 de março de 2013

003. No Caminho, com Maiakóvski

Imagem: Internet


Se, de alguma forma, hoje, as mesmas letras encontrarem eco dentro de ti...

AGE!

-x-x-x-

No caminho, com Maiakóvski
por Eduardo Alves da Costa

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer "mãe"
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
a porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder,
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!


Até a próxima!


002. Eduardo Alves da Costa




Escritor e poeta brasileiro, nascido em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, em 6 de março de 1936. Graduou-se no curso de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie em 1952. Organizou, em 1960, no Teatro de Arena, em São Paulo, uma das mais instigantes atividades culturais do período, as "Noites de Poesia", em que eram divulgadas as obras de jovens poetas. Participou do movimento "Os Novíssimos", da Massao Ohno, em 1962.

O poema "No Caminho, com Maiakóvski" é o mais popular do autor, escrito na década de 1960 como manifestação de revolta a intolerância e violência impostas pela ditadura militar. A obra foi envolvida em uma série de equívocos quanto a atribuição da autoria. Para alguns, o texto era do poeta russo Vladimir Maiakóvski. Para outros, o verdadeiro autor era o dramaturgo alemão Berthold Brecht.

Durante a campanha das "Diretas Já!", o poema virou símbolo na luta contra a ditadura, aparecendo em camisetas, pôsteres, cartões postais. Com a introdução da internet no país, o equívoco da autoria se massificou.

De acordo com o próprio autor, nunca houve arrependimento da utilização do nome do poeta russo no título do poema.

Foi graças a teledramaturgia - novela "Mulheres Apaixonadas", Rede Globo, ano de 2003, na cena em que a personagem de Christiane Torloni lê um trecho do poema -, que o mal entendido da autoria foi desfeito, dando o devido crédito a quem de direito: o poeta brasileiro


Eduardo Alves da Costa.


Até a próxima!


001. A Origem de tudo

Imagem: Internet.
No final dos anos 60, o poeta fluminense Eduardo Alves da Costa compôs um poema que foi publicado em jornais estudantis da época.


Reza a lenda que o poema calou fundo na consciência dos estudantes, e - a cada dia - proliferavam ecos de uma voz até ali ininteligível, perdida nas brumas cidadãs que iam sendo forjadas com o sangue republicano da democracia.

A mensagem foi tão amplamente divulgada - de boca em boca - , que se tornou um dos símbolos nas manifestações do movimento "DIRETAS JÁ!", ocorrido na década de 80. Decênio este onde existiam, na grande maioria, Estudantes...
com "E" maiúsculo...
com entendimento cívico...
com intelectualidade...
com transviamentos juvenis, mas...
com senso de respeito...
com educação...
com índole familiar...
com moralidade religiosa...
com direitos e deveres.

E o tempo passou...

Vivenciamos, amigos, uma era onde o caráter se materializa de forma desregrada, sendo ele bom ou mau. A atualidade, comprova em atos, que o corpo estudantil - em especial, o universitário - se mercenariza por alguns "tostões", atrofiando uma classe que deveria bradar por mais direitos e não somente se contentar com migalhas de cunho umbilical.

Nos anos passados, ninguém escondia a cara atrás de maquiagens, máscaras ou algo parecido. BANDIDOS se escondem. O POVO, não. É a grande diferença entre manifestação séria e desfile circense. Os valores são outros. As verdades persistem manuseadas, só que agora o rebanho se faz manso.

A atrofia que ora se manifesta será fortemente sentida mais adiante. No momento, nossos jovens não conseguem - ou não querem - enxergar o prejuízo que impõem a dezenas de pessoas que os rodeiam diariamente.

Hoje, iniciaremos um passeio pelo passado recente da nossa história. Um passado onde se tem motivos para ter orgulho, se não de todas, mas de algumas ações nobres e patriotas vindas de uma minoria social que, sem se intimidar com as agruras da época, não se calava em defesa da república e da democracia nacional, mostrando que o povo brasileiro não era terra de guerrilheiros, como se observa na cinegrafia de outrora.

É lógico que alguns "sem noção" sempre querem vencer a qualquer custo. É bom não esquecer que "o bom combate se faz com inteligência e, para isso, é primaz o preparo, o estudo". Afinal, não é assim que se começa tudo na vida? Ou alguém já nasceu sabendo tudo sobre tudo?... Da mesma forma, não se nasce com tamanho. Nascemos menores para crescer. É a lei natural. Por isso devemos cuidar sempre dos "menores" antes dos maiores.

O importante de toda essa jornada que vamos fazer é, notadamente, visitar todas as etapas, pois não estaríamos aqui, sem a etapa anterior. Não se saiu da ditadura da noite para o dia. Bem como não se sai de miserável condição econômica pro mediano caminho da riqueza em um zás-trás, igualmente. O degrau que não se vive será a justificativa exata para a queda que o futuro trará. E elas sempre acontecem quando não se vivencia com humildade o caminho do aprendizado. E a escolha é nossa: pelo amor ou pela dor.

Como dizem os arautos do saber - outrora chamados de professores e hoje apenas de "tios" ou pelo próprio nome -, "todo mundo pode ter diploma, basta ter dinheiro. Entretanto, conhecimento só adquire quem verdadeiramente estuda".

Nessa jornada que propomos a ti, vamos reencontrar com muitos nomes que hoje são expoentes da nação, para o bem ou para o mal. Vamos juntos, afinal...

RECORDANDO É QUE SE APRENDE A VIVER!

Até a próxima!!


000. Convite as diretas




Imagem: Internet
Olá!!!

Aqui iniciamos a jornada sobre o movimento nacional nominado de "Diretas Já".

Nossa jornada começa em pinceladas temporais desde os anos 60. É melhor não exagerar na brilhantina!


Ajude-nos a completar essa missão com sabor de Cuba-Libre e ao ritmo de muito Rock'nd Roll... Usando meias de lurex e ao som da discoteca, iremos ao encontro do melhor do Rock Nacional dos anos 80.



Vai recusar o convite?


Embarque imediato... Rumo ao túnel do tempo da nossa história cidadã!




A ZONA VAI COMEÇAR!!!!!


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